HoQ ?
QUADRINHOS
INDEPENDENTES NACIONAIS

2/2014

HoQ ? HQ ? Quadrinhos independentes nacionais

Tema abordado: Produção Independente Nacional de Quadrinhos.

Palavras-chave: Quadrinhos; coletivos; Brasil; Produção independente.

Objetivo Geral: Estimular a leitura, reflexão e produção de quadrinhos independentes e suas expansões. 

Objetivos específicos: Divulgar a linguagem artística dos quadrinhos; divulgar a produção de quadrinhos independentes em âmbito nacional; e incentivar a leitura dos quadrinhos independentes.

Sobre o tema:  As histórias em quadrinhos são expressões artísticas que utilizam o desenho para apresentar uma narrativa em forma de imagens sequenciais. A produção de quadrinhos teve suas primeiras manifestações no início do século XX e, com o avanço tecnológico dos meios de comunicação de massa e a busca por novas formas de expressão artística, ganhou espaço na sociedade. Essas narrativas podem abordar diversos temas. Inicialmente, os temas eram voltados, essencialmente, para a comédia e, por isso, originalmente essas expressões eram denominadas “comics”, nome que até os dias atuais é utilizado na língua inglesa, mesmo depois de serem os temas diversificados a partir da década de 30.

A maioria dessas produções é feita em um circuito mercadológico fechado e, muitas vezes, dentro de um padrão que deve ser seguido como, por exemplo, uma sequência de números de páginas, temáticas abordadas, controle de conteúdo e um estilo estético específico. No entanto, fora dessa demanda comercial, alguns artistas atuaram executando uma produção independente no universo dos quadrinhos, sobre a qual podemos observar aspectos negativos e positivos.

A autonomia do processo de produção proporcionou, então, maior liberdade temática e estética. Além disso, a margem de experimentação nos quadrinhos independentes não possui um limite pré-definido. Por outro lado, um dos pontos negativos consiste na atuação dos artistas em todas as etapas da produção, inclusive na venda de seu produtos.

No Brasil, o movimento dos quadrinhos independentes tem sua origem na década de 1960, com o aparecimento dos fanzines. Os fanzines são publicações alternativas e amadoras que possibilitam a livre expressão e que traziam em si uma postura marginal e subversiva. Como não eram publicados por grandes editoras, os fanzines, geralmente, eram feitos em baixa tiragem e em uma qualidade bem inferior às publicações comerciais. No entanto, muitas dessas produções não eram muito bem vistas pelo meio artístico, diante do contexto da ditatura militar no Brasil, devido às críticas de cunho metafórico e cômicos que se destacavam nas publicações.

Outro exemplo de publicações realizadas por editoras, mas que influenciaram bastante o fortalecimento do movimento dos quadrinhos independentes, no Brasil, foi o Jornal “Pasquim” e a revista “Chiclete com Banana”. Podemos citar alguns nomes que surgiram nessa época como Laerte Coutinho, que publicou no “Pasquim” e em “O Balão” (uma das primeiras produções independentes do Brasil) e que, entre outros, continuam atuando como quadrinistas nos dias de hoje, influenciando, como referência e inspiração, novos artistas.   

Como as inovações tecnológicas na comunicação, os quadrinhos independentes migraram para o mundo virtual. Atualmente, é possível encontrar uma vasta produção disponibilizada online para sua divulgação. Já a produção de zines continua não somente com sua essência original, na qualidade de publicações alternativas, mas também como objetos artísticos.

Relevância: A relevância do projeto está ancorada na falta de divulgação e conhecimento do público em geral sobre o tema. A exposição visa divulgar os quadrinhos, saindo da perspectiva dos heróis americanos comerciais que vemos hoje por meio da indústria cinematográfica, e trazer a valorização do tema no cenário nacional das produções independentes.

Resultados: No que diz respeito ao público, a equipe realizo algumas ações antes e durante a exposição. A primeira ação, antes da realização da exposição, foi a oficina realizada em uma escola do DF, atividade que envolveu 55 alunos. No livro de visitação da exposição, constam assinaturas de 460 visitantes. As oficinas realizadas durante a exposição envolveu 30 participantes, totalizando 545 pessoas.

Local: Galeria da FAU/ UnB

Visitação: 13 a 20 de novembro de 2014.


Apresentação da exposição: A exposição “HoQ?” tem como objetivo apresentar os quadrinhos independentes nacionais, através de seus meios de produção, divulgação e sua dimensão estética, temática e tecnológica.

Os vícios de conceito cotidianamente associados às expressões “quadrinhos”, “histórias em quadrinhos” e “HQs”, muitas vezes os restringem a noção de um produto infantil, ingênuo ou mercadologicamente massificado, como as publicações de super-heróis. Os quadrinhos independentes, desvinculados desse contexto editorial, ampliam as possibilidades expressivas e poéticas dessa linguagem em suas produções, abrangendo o grotesco, o escatológico, o subversivo, dentre outros.

A exposição pretende abordar os temas, as formas, os materiais, e as mensagens dos quadrinhos independentes; mas, além disso, os processos alternativos de produção, distribuição e divulgação, que caracterizam essas publicações.

Inscrita no contexto acadêmico da Universidade de Brasília, a mostra “HoQ?” propõe-se como um espaço de debate de ideias, reflexão e produção de conhecimento por meio de suas ações educativas e culturais. Convidamos todos a conhecer um pouco mais sobre a diversificada produção de quadrinhos independentes nacionais, e se instigar com questionamentos que os envolvem frequentemente: o que são quadrinhos? O que podem ser? Como a tecnologia influencia todas as suas etapas? Quadrinho é arte? 

Texto do núcleo “Processos Criativos”: Nos quadrinhos independentes, de modo geral, todas as etapas da produção são desempenhadas pelos artistas: desde o roteiro, desenho, arte finalizada, editoração e confecção das publicações, até sua venda e distribuição. O controle de todo ou de grande parte desse processo possibilita uma grande autonomia e liberdade no que se refere a formatos e conteúdos dessas publicações, o que faz com que a produção independente de quadrinhos tenha um caráter marcadamente experimental e libertário.

Apresentamos aqui parte desse processo de criação dos quadrinhos independentes: objetos, desenhos e dispositivos que permitem refletir não apenas acerca do produto final, mas das etapas e processo de formação e confecção dessas produções.

Como cada artista lida com seu repertório poético? Quantas perguntas um quadrinista se faz antes de começar um novo projeto? O formato pré-estabelecido de uma história não limita a liberdade durante o processo criativo? Os processos de produção de quadrinhos impõe a seus autores uma série de questões conceituais, desafios técnicos e decisões metodológicas que impactam diretamente seus modos de atuar, refletir e o investimento afetivo em suas obras. 

Texto do núcleo “Espaço de Leitura”: A leitura dos quadrinhos, mescla de escrita e figuras, nos faz pensar sobre novas possibilidades de compreensão do nosso universo imagético, permitindo com que o indivíduo lance um outro olhar sobre o mundo que o rodeia. Como seres vivos, nosso olhar está sempre refém dos nossos conhecimentos prévios ao buscar interpretar uma imagem; assim, a ampliação de nosso repertório implica em uma ampliação dos significados que podemos atribuir aquilo que nos é apresentado.

Nos últimos anos houve uma onda de especulações acerca da possibilidade de extinção dos meios impressos de leitura, em virtude da popularização dos meios digitais de publicação. Contudo, o que se percebe é uma ampliação dos modos de produção e circulação, oferecendo a leitores e produtores uma diversidade de ferramentas e suportes que não se excluem, mas que se somam.

Ofertamos aqui um pequeno acervo de publicações, digitais e impressas, que possibilita ao público explorar a leitura como elemento fundamental da produção de quadrinhos. 

Texto do núcleo “Contemporâneo”: No universo da arte contemporânea a multiplicidades de meios expressivos e de processos criativos permitem um intenso trânsito entre diversos campos, ampliando a atuação dos artistas para além de determinadas linguagens ou especificidades técnicas. Deste modo, as próprias obras não podem ser definidas somente em função de uma única modalidade artística, mas como resultado de um fluxo de intercâmbios entre distintas linguagens. No contexto dos quadrinhos não é diferente: muitas produções expandem-se e dialogam com outras manifestações visuais e plásticas, como colagem, pinturas, street art, book art, o audiovisual, a gravura e artes gráficas em geral, dentre outras.

Esse vasto campo de atuação instiga a produção de quadrinhos a uma diversidade de práticas não determinadas por suportes pré-definidos, mas que exploram a possibilidade de ampliação do meio expressivo, possibilitando seu desdobramento em distintos contextos artísticos.

Nesse espaço, apresentamos produções que surgem destes desdobramentos. Essas obras explicitam a relação íntima ente os quadrinhos e diversos suportes e meios de expressão artística. São obras híbridas, nas quais é possível reconhece a influencia de diversas características e qualidades formais dos quadrinhos como narrativa e plasticidade.  

A exposição curricular da turma da disciplina Museologia e Comunicação 4, do curso de Museologia da UnB, em 2014, pretende abordar o tema “História em quadrinhos independentes nacionais”, dando ênfase às produções contemporâneas. Os quadrinhos independentes foi considerado como uma forma de expressão artística que espelham o contexto social, político, econômico e filosófico das diversas culturas. Dessa forma, fazem parte da construção de aspectos educacionais e críticos do leitor dessas publicações.

A missão da Exposição é promover o conhecimento, gerar reflexão e facilitar o contato do público com os quadrinhos independentes nacionais.

 

FICHA TÉCNICA:

Universidade de Brasília – UnB

Faculdade de Ciência da Informação – FCI

Curso de Museologia – Mus

Professor da Disciplina Museologia e Comunicação 4

Matias Monteiro

Assessoria de Comunicação

Deise dos Santos

Monica Imai

Verônica Abreu

Programação visual

Ana Luisa Soeira

Julya primo

Educativo

Jéssica Freitas

Marjorie Guedes

Priscila Pereira

Curadoria

Roberta Arcoverde

Tainá Xavier

Thiago Ferreira de Melo

Produção:

Breatriz Dias

Jade Gabriela de deus

Novembro de 2014

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